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Ensaio

Medo. Não há pessoa no mundo que um dia não tenha sido invadido por ele e se sentido totalmente inerte. E pior, muitos criam obsessões, muitas vezes sem fundamento algum, que chegam a beirar a insanidade em torno de algum trauma advindo dele. Mas nada mais inato ao homem que o medo; aquele pavor que todos sentem do desconhecido, tal qual uma criança que vai a primeira vez à escola. Por um lado cria seqüelas, mas por outro nos faz manter o pé no chão; é bom; mas é extremamente limitador das capacidades humanas.

Focando o medo na religião temos, talvez, a explicação pra tanto fanatismo, tanta mediocridade vinda daí.

Pensando nisto cheguei a uma conclusão: o homem não crê em um Deus-Todo-Poderoso simplesmente pelo lado bom deste maniqueísmo difundido, muito menos pelos ideais filantrópicos pregados por Jesus, mas sim pelo pavor cego que sente pelo outro lado da moeda: o inferno e seus predicados, que uma hora ou outra fazem tremer até o mais cético e mais informado dos homens.

Agora, suponhamos que, assim que surgiu toda essa idéia de bem-e-mal, simplesmente sacassem o mal da história, e só existisse o bem. Não tirando-o da natureza humana, mas apenas do contexto divino. Ou seja, uma religião que pregasse os dez mandamentos, a bondade, o altruísmo, as qualidades boas do ser humano, tal qual a bíblia diz, mas sem fazer menção alguma ao chifrudo e seu inferninho; não colocando medo nos homens com idéias de "fogo eterno", ou histórias apocalípticas.

Lembrando que, nesta estória, o ser humano é o mesmo de sempre, tendo crucificado Jesus, tendo criado o Fascismo, sendo cruel como deveras é. Apenas o que mudou foram as regras divinas. Sem o eterno medo imposto.

A conclusão é óbvia. O homem cuspiria na bíblia, riria ante a idéia de Deus, assim como pisa nos seus semelhantes, porque esses não impõem medo. E iria destruir o primeiro que erguesse uma igreja, porque não existiria a eterna dúvida que os fazem sofrer, não haveria o mal que os apavora. O mal é a base da religião, sem ele não haveria Deus.



- Postado por: Juninho às 01h48
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