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No fio da foice

De um lado a sempre presente nos discursos demagógicos dos governantes, tão aclamada e talvez utópica, democracia; de outro, o totalitarismo verbal. Não bastasse o fato de nos prenderem o tempo todo com suas leis pseudo-democráticas agora querem nos ensinar a falar, de certa forma, dizimando uma cultura de palavras presente no nosso dia-a-dia.

Semanas atrás o governo apresentou a "cartilha do politicamente correto". A intenção desta cartilha é substituir palavras consideradas pejorativas por definições menos "pesadas". Um exemplo: se o cidadão possui aquela doença denominada nanismo, ele não pode mais ser considerado um anão, termo considerado, a partir do advento dessa cartilha, uma ofensa, mas sim "verticalmente comprometido". Ah, não! Po, é fato que existem e sempre irão existir pessoas maliciosas que se dirigem a esses indivíduos "comprometidos" com segundas intenções, mas querer mudar, como citado acima, uma cultura de palavras já presente no cotidiano é uma ofensa maior ainda, à sociedade. Ainda porque, tanto "anão" quanto qualquer outro termo, como "negro" ou "barbeiro" – palavras citadas na cartilha – são termos que nada transmitem além da própria realidade. Só se tornam pejorativas na mente de minorias inescrupulosas.

Só que o problema não reside aí. Essa tal cartilha não passa de mais uma jogada de alienação por parte dos poderosos. Querem passar uma imagem de um governo que se preocupa com os menos favorecidos, porém a realidade é o inverso disso. Um exemplo é o caso dos deficientes físicos. Consta nessa cartilha que não se deve mais chamá-los de "aleijados", e sim de "portadores de deficiência física". E chamando a atenção para isto –míseros termos - o papel deles(governo) se torna irrelevante perante a realidade, com um bônus extra, melhoram sua imagem perante a sociedade. Porque ao invés de designarem termos para isto ou aquilo não se esforçam para melhorar a vida desses deficientes físicos? São coisas simples como rampas em calçadas, conduções especiais para eles, etc. Mas o governo se preocupa, antes de mais nada, com sua imagem perfeita ante este espelho disforme chamado sociedade. Um dos artistas mais consagrados em nosso país tinha como apelido "aleijadinho". Será que, a partir dessa cartilha, nos livros de história, ele passará a ser chamado de "deficientezinho físico"? É cômica esta novidade do governo, senão dolorosa demais para alguns.

Me faz lembrar do livro 1984 de George Orwell, no qual, a cada nova edição dos dicionários, as palavras iam sendo excluídas, com o intuito de fazer o povo desconhecer certos termos, esquecendo assim o real significado de um sentimento, por exemplo, e passando a conviver resignadamente àquilo, sem saber o que realmente significava em suas vidas. É o totalitarismo; a ditadura, duríssima por sinal.



- Postado por: Juninho às 01h45
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