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E o futuro...??

Os governantes continuam em atritos permanentes, e a juventude...se fodendo!!

No Brasil, recentemente, estão ocorrendo inúmeras rebeliões em complexos da Febem. Tanto a imprensa quanto a sociedade se armam até os dentes e disparam de todos os lados contra os menores infratores, sem ao menos se questionarem quem são esses menores, quais são suas origens, se tiveram uma boa educação, se tiveram algum tipo de incentivo, etc. É um fato arraigado na cultura desta sociedade. Julgar, rotular sem ao menos querer saber quem é o indivíduo.

Se o menor de idade está numa instituição penitenciária é porque cometeu algum crime e merece uma punição. Claro! E essas instituições foram criadas para, não só mante-los presos - à margem do sistema - mas para que tenham uma recuperação e saibam, quando cumprirem suas penas, viver em uma sociedade, como cidadãos de bem. Mas na prática, não é isso o que ocorre lá dentro. O que ocorre são espancamentos, maus tratos, um descaso para com o menor infrator. Uma instituição denominada "Fundação estadual do bem-estar do menor" não está cumprindo com suas obrigações agindo dessa forma. Como o nome já diz, eles deveriam promover o "bem-estar", incentivar, apoiar o jovem para que se sinta, de certa forma, incluído neste contexto chamado sociedade, e não um mero marginal, no sentido amplo da palavra.

Enquanto o governo está gozando os seus novos salários, felizes com suas mansões e carros do ano, comprados com o dinheiro roubado do suor do trabalhador, o infrator está trancafiado em sua cela, sem perspectivas de vida. E quando eles(menores detentos) resolvem se fazerem ouvir, pela única forma que acharam, como uma espécie de válvula de escape para seus problemas - a rebelião - todos tapam os ouvidos e, simplesmente, os ignoram, taxando-os de marginais, delinquentes, enfim, são tratados como uma escória.

O governo, assim como a sociedade, simplesmente os esquece, enjaulados nas instituições, feito bichos, ao sabor da criminalidade, a única coisa que, em suas vidas, aprenderam de fato. À começar pelo passado. A grande maioria, nascidos em famílias de baixa renda, vivendo num contexto que envolve, única e exclusivamente, o crime, sem condição de desenvolvimento cultural decente para que saibam levar uma vida digna.

Isso tudo redunda num paradoxo irônico. O maior medo desta sociedade é aquele infrator que está preso em uma penitenciária qualquer; medo de ser assaltado a qualquer momento; medo de seqüestro...E o problema reside aí, não nos moleques que, agora estão ingressando na faculdade do crime, por falta de incentivo e perspectiva de vida, mas sim no governo que, indiretamente, cria esses marginais. Ao invés de aplicarem recursos para que se eduque as crianças, dêem-nas ao menos uma esperança de uma vida melhor, o sistema prefere financiar guerras, investir em armas e presídios. Este, tanto o que vai enjaular o indivíduo que assalta um banco quanto o que vai prender a própria sociedade, em suas casas, em suas mentes paranóicas, em suas vidas mesquinhas.

 

"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, 
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa"

Allen Ginsberg



- Postado por: Juninho às 23h06
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Retrato da desigualdade

 

Y, 18 anos de idade, condenado à X anos de prisão em regime fechado, pelos crimes de latrocínio, estelionato e tráfico de entorpecentes.

Hoje é só mais um número, uma estatística no sistema penitenciário brasileiro.

Nascido numa favela, cercado por miséria, numa família composta por 4 irmãos e sua mãe. Bastardo; indigente. Até os sete anos de idade é criado por um irmão mais velho, o qual sustenta a família com a renda proporcionada pelo tráfico de drogas, enquanto sua mãe é só mais viciada em crack que mantém o vicio se prostituindo.

Y, mais um pária deste sistema, desprezado pela sociedade, discriminado pela sua origem, é só mais um dentre tantos outros moleques frutos da miséria e desinformação. Não tem condições de ir para a escola, porque o governo simplesmente esqueceu que ali, na favela, também existe vida, e deixou toda uma comunidade vivendo precariamente, sem saneamento básico, sem unidades de ensino, sem emprego, vivendo sub-humanamente, sem perspectiva de um futuro melhor.

Abandonado ao acaso, Y vive em dois mundos distintos: o "seu" mundo, do tráfico, da miséria, das mortes, do vício, da fome; E o outro mundo, que é alheio ao seu, mas que a todo dia invade sua mente e lhe proporciona sonhos e uma esperança de uma vida melhor:; a TV.

Alimenta o sonho de um dia ganhar dinheiro e poder ter tudo aquilo que vê na TV, tudo o que aquele playboyzinho tem; o tênis da moda, o carro do ano, enfim tudo o que o dinheiro pode comprar, e ajudar sua família. Quer sair dali, quer ser alguém nesta terra de ninguém, esquecida pelos poderosos, onde a droga é quem dita as regras, e ordena quem vai e quem fica.

Com 12 anos ele começa a ver a realidade, seus sonhos, tudo aquilo que lhe proporcionava a vontade de viver, vai se desmoronando feito castelos de areia ao sabor do vento, e tomando formas grotescas, sem sentido e que ninguém explica e todos se perguntam o porquê daquilo. Ninguém, só ele sabe o que está sentindo; toda revolta de não poder ser aquilo que lhe foi imposto, toda vergonha de não poder ir pra escola, de não poder ter um par de tênis, nem sequer comida na mesa ele tem. Toda pobreza, violência e desigualdade mesclados com seus sonhos impossíveis só fazem despertar o ódio dentro de si. E se pergunta: "por quê? Por que ele têm e eu não?"

O moleque descobre a droga, todos os seus sonhos se tornam reais, tudo aquilo que lhe foi cobrado um dia ele pode ter e paga em dobro para a sociedade...nos seus devaneios...é "feliz"!!

Não sabia ele, por falta de informação por parte de um governo sem escrúpulos, que aquela "rocha" que ele fumava e lhe proporcionava a dignidade, era extremamente prejudicial à sua, triste e breve, vida. Os sonhos se tornam pesadelos, ninguém pode o ajudar, a vida se torna dolorosa e cruel, está sozinho, acompanhado de seu fiel companheiro, o vício. Não tem condições de sobreviver; aquele moleque sonhador, que fazia vários planos, que tinha toda uma vida pela frente, hoje é só mais um subproduto da desigualdade proporcionada pelo governo corrupto.

15 anos de idade, já não tem medo de nada, é mais homem que muito homem; conhece a vida, mas as circunstancias as quais ele vive não lhe proporcionam condições de se tornar alguém. Vê seus amigos sufocando e morrendo no vício, seu povo destruído. Não quer aquilo para ele, não entende o porquê daquela situação; enquanto a TV lhe passava a imagem da vida perfeita, de pessoas sempre felizes e sorridentes, sua vida ia cada vez mais se afundando na lama.

Ele não entende qual o motivo de tudo isto. Os poderosos dizem que é imoral roubar, mas roubam constantemente a vida e a dignidade de seu povo. A sociedade diz que usar droga é ilegal, que financia a violência, que mata e prejudica o sistema, mas ao mesmo tempo promovem e ganham muito dinheiro com o álcool vendido na sua favela, resultando naquela violência que ele vê dia-a-dia, nos bares, nas ruas. O governo diz que há que estudar e trabalhar para se ter dignidade mas não lhe proporciona esta oportunidade de ser alguém na vida, deixando-o na miséria, indigentemente. Só vê uma saída para tudo isso: O crime!

Agora o moleque tá revoltado. Tem ódio do governo, dos ricos...da sociedade. Agora ele não se pergunta mais o porquê daquilo tudo, já se decidiu, ninguém pode mais pará-lo. Agora quem faz as perguntas e as críticas é a sociedade: "Por que ele não está numa escola?"; "O que tem na cabeça para matar inocentes?"; é bandido, marginal, drogado, é só mais um pária para a sociedade. Mas ninguém se pergunta se ele teve condição de viver, se ele teve alguém do seu lado para dar incentivo. Ninguém lhe deu atenção quando pivete, não lhe proporcionaram uma chance de ter aquilo que lhe pediam, não lhe deram educação. Porque agora, que ele tá revoltado, alguém quer cobrar algo dele? Enquanto tava no canto dele, inofensivo, ninguém lhe deu atenção, agora que aprendeu a matar, todos o tratam como uma escória. Hoje o sistema tem medo daquilo que ele mesmo criou, mantendo-o preso qual animal, aumentando ainda mais sua revolta.

Quem é o verdadeiro bandido? O que roubou a vida de um moleque ou o moleque que, sem vida, tira a vida de milhares?

 

Frase: "Metade da humanidade não come; e a outra metade não dorme, com medo da que não come" Josué de Castro



- Postado por: Juninho às 20h59
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