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Ensaio

Medo. Não há pessoa no mundo que um dia não tenha sido invadido por ele e se sentido totalmente inerte. E pior, muitos criam obsessões, muitas vezes sem fundamento algum, que chegam a beirar a insanidade em torno de algum trauma advindo dele. Mas nada mais inato ao homem que o medo; aquele pavor que todos sentem do desconhecido, tal qual uma criança que vai a primeira vez à escola. Por um lado cria seqüelas, mas por outro nos faz manter o pé no chão; é bom; mas é extremamente limitador das capacidades humanas.

Focando o medo na religião temos, talvez, a explicação pra tanto fanatismo, tanta mediocridade vinda daí.

Pensando nisto cheguei a uma conclusão: o homem não crê em um Deus-Todo-Poderoso simplesmente pelo lado bom deste maniqueísmo difundido, muito menos pelos ideais filantrópicos pregados por Jesus, mas sim pelo pavor cego que sente pelo outro lado da moeda: o inferno e seus predicados, que uma hora ou outra fazem tremer até o mais cético e mais informado dos homens.

Agora, suponhamos que, assim que surgiu toda essa idéia de bem-e-mal, simplesmente sacassem o mal da história, e só existisse o bem. Não tirando-o da natureza humana, mas apenas do contexto divino. Ou seja, uma religião que pregasse os dez mandamentos, a bondade, o altruísmo, as qualidades boas do ser humano, tal qual a bíblia diz, mas sem fazer menção alguma ao chifrudo e seu inferninho; não colocando medo nos homens com idéias de "fogo eterno", ou histórias apocalípticas.

Lembrando que, nesta estória, o ser humano é o mesmo de sempre, tendo crucificado Jesus, tendo criado o Fascismo, sendo cruel como deveras é. Apenas o que mudou foram as regras divinas. Sem o eterno medo imposto.

A conclusão é óbvia. O homem cuspiria na bíblia, riria ante a idéia de Deus, assim como pisa nos seus semelhantes, porque esses não impõem medo. E iria destruir o primeiro que erguesse uma igreja, porque não existiria a eterna dúvida que os fazem sofrer, não haveria o mal que os apavora. O mal é a base da religião, sem ele não haveria Deus.



- Postado por: Juninho às 01h48
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Manifesto

Tente imaginar a menor "engrenagem" de um computador, a que faz o serviço mais inútil, que faz um puta trabalho, ininterruptamente ali na labuta, mas que não representa absolutamente nada à máquina, e, em caso de ser considerado inapta para o trabalho, é removida dali imediatamente, sendo facilmente substituída por outra peça qualquer. Esta é você!

Não importa se tem curso superior, mestrado, doutorado; independente de onde trabalhe, se tem milhões em sua conta corrente ou não. Coloque uma coisa na sua cabeça. Você não representa nada neste sistema. Você é SUBSTITUÍVEL, tal qual uma lâmpada queimada num abajur, ou seja lá o que for considerado INÚTIL. Somos mais de 6 bilhões no mundo, 180 milhões só no Brasil. Nesse imensurável mar de gente qual o papel representado por você? Você acha que todo esse sangue que desperdiça para com o sistema, diariamente com o seu trabalho, para comprar um carro e um celular de última geração, vale a pena? Enquanto milhares de seus irmãos morrem de inanição em todo o mundo, você paga impostos altíssimos com seu luxo, em suas jóias, em seu tênis de última geração. Você vai morrer. E o sistema permanecerá rindo de você por todo o sempre. Porque você é um cuzão que só faz contribuir mais e mais com toda essa patifaria. Então faça algo! Pare de rastejar, levante-se e proteste. Não precisa gritar – nem só com corda vocal se faz um protesto. Conscientize-se. Não consuma nada além daquilo que lhe é essencial; Invista em seu espirito, em sua mente, ao invés de comprar uma roupa caríssima totalmente obsoleta. Sempre que pensar em mcdonalds e toda merda daí derivada, alimente crianças, com idéias, com roupas, com comida – sem demagogia, sem esperar algo em troca – porque daí irá florescer mais idéias. Semeie o futuro . Uma juventude feliz fará o mundo sorrir outra vez. Só assim você irá contra o sistema que quer te enforcar. Só assim deixará de ser só mais um otário passivo e fará parte da verdadeira história. Sem essa de querer ser um deus na mídia demagógica.

Não seja mais uma engrenagem alienada a trabalhar sem receber algo em troca, sempre passivo, ajudando o sistema a construir seu império sobre seus ossos e seu sangue. Não seja apenas substituível. Reveja seus conceitos, reveja seus pensamentos; sua idéia de o que é realmente de valor neste mundo pode ser totalmente infundada, baseada numa cultura consumista hipócrita.

Estão globalizando uma cultura fútil, fascista, escravagista. Dê um basta nisso! Não seja mais um otário do sistema! Rasgue sua carteira de trabalho! Mas trabalhe. Para você e sua família, e não sustente esta imundice. Não seja mais um trabalhador alienado. Não consuma além daquilo que é necessário. Seja tanto menos egoísta quanto conseguir, se conseguir. Leia mais. Não assista TV, você deve saber o mal que ela faz. Ela moldou a sua cultura, ela fez e faz a sua cabeça. A nossa cultura é podre, segregaria, mesquinha.

Faça valer a pena, a vida. Viva a contracultura! Pense!



- Postado por: Juninho às 02h17
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A imagem e o terror

A mídia é como uma fábrica de imagem, de ídolos, sendo esses renovados a todo instante, reciclados. Deuses que nascem do dia pra noite e, da mesma forma, passam ao ostracismo assim como emergem do nada. Quero falar especificamente sobre os políticos, e o papel desses em conluio com a mídia.

Desde sempre a beleza exterior é tudo. E a propaganda veio para maquiar ainda mais a realidade, e os governos a têm como sua maior arma, sendo capaz de atrair para junto de si milhões de pessoas. O maior exemplo disso foi Hitler que, através da propaganda, moveu uma guerra de proporções gigantescas, com milhares de mortos.

Hoje temos a TV para piorar a situação. A começar pela ditadura. A rede globo, uma das maiores emissoras de TV do mundo, tão querida pela grande maioria dos brasileiros, é fruto daquela que foi uma das piores fases da historia nacional, a ditadura militar. Que ironia! Durante vinte anos a globo e seu "Dr." Roberto marinho acobertaram os crimes cometidos por militares; camuflavam a miséria, o genocídio de homens que lutavam por um país livre; enchiam de merda a cabeça da população, forjando uma imagem de políticos bonzinhos, através de uma beleza maquiada, com estatísticas falsas, com uma política fascista. Em troca de quê? "Dr." Roberto marinho em conluio com militares usaram a população em troca de poder.

Mais um exemplo da tão querida e idolatrada rede globo é o caso do presidente Collor. A emissora forjou uma imagem de um homem bom, bem sucedido, atraente fisicamente, enfim. Era tudo o que o povo brasileiro queria. Não era um homem de verdade que estava na tela da TV, candidato a presidente da república, mas sim uma imagem bela e sublime que iria governar o país, muito menos um militar assassino. Do outro lado tínhamos um homem que veio do povo, que era pobre, o atual presidente Lula. Entre um semi-analfabeto e uma imagem perfeita o povo escolheu a imagem, sem ao menos saber quem estava por trás dessa. Deu no que deu, o cara fodeu com o país, e a globo, se fazendo de vítima também, passou a execrar aquele que é fruto de sua incompetência.

Hoje o país tem novos ídolos, novos deuses a quem adorar e entregar todo o poder. Hoje a população brasileira se ajoelha ante a imagem da TV, a mesma, os fatos comprovam, que foi a culpada pelo martírio o qual passou o povo nos tempos de crise; e por que não dizer que eles, a mídia em conluio com o governo, são os culpados dos males que assolam o nosso país hoje em dia? É claro que são.

Fica aí a mensagem para quem adora o que vê na TV.



- Postado por: Juninho às 17h44
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A idéia é boa, mas...a realidade é uma merda...

Eu sou um dos muitos privilegiados que já tiveram a ponto de perder a vida a um simples puxar de gatilho. Quem já foi assaltado sabe como é ter um canhão engatilhado na cabeça pronto para atirar a qualquer vacilo, sem chance nenhuma de se defender, se sentindo um mísero inseto inofensivo; a cabeça rodando a milhão, sem nenhum pensamento, porém pensando no que há de acontecer no momento seguinte, se lamentando de ter entrado naquela rua estreita e escura, passando a acreditar e clamar a deus pela vida, esta que naquele momento não vale a merda que tu fez no dia anterior.

Bom, mas o que eu vim fazer aqui é apenas mais uma crítica ao governo, para variar. Faz um tempo já que eles querem desarmar a população, com essa campanha de desarmamento. Agora, além desta campanha idiota, eles querem promover um pleito para que o cidadão de bem saia de sua casa e vá votar a favor ou contra o desarmamento. Até agora isto não saiu do papel e foi adiado para 2006 porque - vejam bem a eficiência desta campanha -, porque eles não conseguiram formular uma pergunta decente a ser feita à população.

A idéia é boa. Enfim, paz (?) Mas a seguir nos deparamos com a sempre presente "prática", porque a realidade é outra, é uma merda. Nesse parâmetro imposto por assalto, seqüestro, latrocínio, enfim, somente há que ter dois personagens, o bandido e a vítima. Teremos também um terceiro, porém este é mero coadjuvante, o que deveria exercer o papel de protetor da sociedade, porém prefere manter atividades ilícitas como contrabandear armas para os bandidos. Os defensores tem o direito de se armar porque eles não devem deixar que as vítimas em potencial se tornem presas. Os civis não têm o direito de ter uma arma em casa porque...bem, boa pergunta, por quê? Os bandidos, também meros civis mascarados, têm ao seu alcance diversos calibres, enquadrados no auto-direito de proclamar o caos. Os bandidos não tiveram pão em casa. Hum, boa idéia para se pensar...eles eram cidadãos encarcerados e largados à margem, também roubados, pelo governo, sem assistência alguma e, para tentar ter uma vida digna, entraram para essa vida. E agora, de quem é a culpa? Do governo que não toma uma atitude firme para combater a violência e a miséria? Dos "civis-bélicos" que municiam suas vidas como podem, encarcerados em trincheiras, bolando rotas de fuga nos campos de batalha para não ser atingido por uma bala ou uma lei perdida no ar? Dos defensores da justiça? Ou é a própria natureza do ser humano que faz o mundo desta forma e não há o que mudar?

O querer apontar um culpado é algo extremamente complexo, da mesma forma que desarmar a população é uma atitude que não vai diminuir o mínimo que for nos índices de violência. O bandido não vai querer de forma alguma entregar uma coisa que é a principal ferramenta em seu ofício. A propaganda diz que ao tomar essa atitude o cidadão de bem irá contribuir para a sua sociedade, e ele faz sua parte na esperança de um mundo melhor. Só vem uma idéia na minha cabeça. É apenas mais uma tática de guerra do governo para manter o povo com a esperança de paz e democracia. Se é o próprio governo, com suas leis fracas, quem permite que o ladrão se arme, qual o motivo dos poderosos lançarem mão de uma campanha desse calibre? Nunca, nem daqui a mil anos, uma sociedade irá ter paz sendo os civis-de-bem desarmados. O governo não protege, a televisão influencia, a educação é uma merda, a miséria come solta, a desigualdade é imensa. E o trabalhador que é o "culpado"? Como sempre este último toma no cu.



- Postado por: Juninho às 01h34
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Informação para desinformar

Dizem os auto-proclamados-sábios-da-mídia que vivemos a geração da informação, mas, afinal, o que é a informação? Dizem que esta faz-nos mais inteligentes, menos suscetíveis ao corrompimento, menos alienáveis, enfim, quanto mais informados, tanto mais conscientizados, culminando no fato de não sermos enganados. Mas a realidade realmente prova isto? A informação nos passada pela mídia faz-nos tão "espertos" ao ponto de não nos deixarmos sermos corrompidos pelo sistema? Será que nós somos realmente mais conscientizados que nossos pais, pois, afinal, somos a geração da informação...Ou será que, de tanto a mídia demagógica martelar isto em nossas cabeças frágeis, nos acomodamos e passamos a digerir muito mal sua informação maquiada?

O maior porta-voz da informação hoje é a Internet, que dissemina uma noticia pelo mundo num piscar de olhos, independente de esta ser verossímil ou não. Qualquer um, com um computador conectado à Internet e com uma idéia na cabeça, poderia promover uma revolução, organizando uma milícia ou seja lá o que for, virtual. Como num caso ocorrido nos EUA, nos anos sessenta me parece, onde um locutor de rádio anunciou uma invasão alienígena, provocou o caos em grande parte deste imenso Estado – foi correndo de boca em boca a mensagem, sendo digerida na mente dos mais ignorantes, culminando por fim num medo geral por parte da população; Hitler amontoava milhares de alemães miseráveis num estádio de futebol e dava vazão à sua eloqüência demagógica, não deixando o povo pensar e fazendo-os entrar em êxtase com sua oratória, aliciando-os a fazerem e pensarem o que, por natureza e/ou ideologia, não estavam predispostos a executarem. Enfim, a informação e a propaganda é isto. Ela PENSA por nós. Ela representa, talvez, o papel mais difícil para o ser humano executar – o ato de pensar. Preferem serem enganados, ultrajados, manipulados, do que...pensar. "Afinal, se alguém, pode fazer isto por mim, porque haveria eu de me esforçar num ato tão inútil? Se existem políticos para fazerem política, se existe a mídia para FAZER(não mediar) a informação, para que eu vou me dar ao trabalho de me empenhar numa tarefa árdua como esta?"

A minha opinião é a de que quanto mais interagida estiver esta imensa massa-viva, quanto mais a informação estiver interligando as mentes de cada indivíduo, tanto maior será a alienação, e, no caso de uma revolta, idem. A meu ver, antigamente, nas revoluções comunistas e afins, ocorria o seguinte: Para mim não tinha essa idéia de pobre contra rico, de proletariado contra burguesia. Como a informação era lenta, pouco divulgada e disseminada, se um representante burguês chegasse numa classe menos provida de bens e oferecesse o que no momento lhes era de utilidade e fizesse a cabeça deles com promessas, estes lutariam a favor dos tais burgueses, e no caso de um revolucionário chegar com suas idéias de "novo mundo" alimentando de esperança a mente popular, seria o mesmo caso. Ou seja, a informação, seja ela útil ou não para o bem do povo, sempre irá aliciar os mais ignorantes, promovendo quase sempre o ocaso da massa, ante os caprichos dos mais perversos. E, no nosso caso, estamos em desvantagem, porque aqui quem manda e desmanda é a mídia conluiada com o governo, aliciando a mente dos mais ignorantes com sua falsa mensagem de liberdade e democracia.

Voltando a comparar esta nossa realidade-informatizada com a de antigamente, tendo em vista a idéia de que quanto mais interagida e informada estiver a massa, tanto maior será a alienação, será mesmo que esta informação nos é de utilidade? Será que estamos mesmo mais avançados que nossos antepassados? Antigamente existiam os levantes populares, as revoluções, que, a meu ver, nunca deram em nada, porque a miséria, tanto intelectual quanto material, continua a mesma. Porém tinham os que se sentiam injuriados e iam atrás dos seus direitos, mas hoje, nem isso se vê.

O que mais corrói esta sociedade hoje talvez seja aquela idéia herdada de um general romano, a do pão e circo. Hoje, pão representa o mísero salário mínimo, e o circo a TV, o futebol, o carnaval, os espetáculos que ofuscam a atenção do povo para os verdadeiros problemas. E hoje, não é preciso mais ir atrás destas "maravilhas", elas vêem até nós pela TV, distorcendo toda a realidade, fazendo os mais desavisados a acreditarem em papai Noel se for preciso.

Mesclando a (des)informação com o espetáculo, a miséria é inevitável, sem dúvida alguma. Alguém há que abrir os olhos desta gente para a realidade. Mas, quem?



- Postado por: Juninho às 02h52
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Dias atrás entrei em uma comunidade do orkut e, em uma discussão em um tópico a respeito da CPI, eu escrevi o seguinte: "daqui algumas semanas esta comunidade vai se tornar obsoleta porque esquecerão a tal da CPI...". Alguns integrantes da comunidade ficaram revoltados com meu ponto de vista e resolvi elucidar mais ele com o texto que se segue.

É o seguinte, enquanto eu estiver sentado na platéia, vendo à distância, e sem ter a mínima noção do que acontece atrás da cortina, esta palhaçada que é o governo e a justiça eu continuarei extremamente cético. Respeito e estou do lado de quem é contra toda essa patifaria, e acredito que os integrantes desta comunidade partilham da minha opinião de que esta sujeira deve ser posto em panos limpos e, para o bem da sociedade, tudo ser esclarecido. Porém, ao dizer que esta comunidade irá se tornar obsoleta pelo fato de daqui algum tempo todos esquecerem a tal da CPI eu mantenho minha opinião, porque não acredito nesta justiça. Logicamente que irão apurar a roubalheira que está ocorrendo lá em cima e alguns homens grandes do governo irão rodar. Porque a sociedade está pedindo isto, caso contrário, tudo estaria acontecendo naturalmente, como se nada tivesse acontecido. E é neste ponto que eu sou cético, porque o roubar, aqui, é uma coisa natural. Faz parte da natureza dessa instituição chamada governo o ato de roubar, e o que eu estou vendo na mídia é só a "ponta do iceberg", um mísero grão de areia que veio a se separar do resto, no momento errado e na hora errada. Sei que minhas metáforas são impertinentes, mas é a realidade. Digo que veio a calhar na hora errada esta denuncia porque nem mesmo Roberto Jefferson esperava por essa. Só abriu a boca porque a mídia estava destruindo seu nome no caso dos Correios, caso contrário ninguém estava sabendo de nada. E quantos mais mensalões não estão sendo distribuídos por trás da cortina neste exato momento? Quantos indivíduos iguais a Maurício Marinho não estão aceitando propina em nome de instituições federais, com o auxilio de poderosos? Sou apenas um espectador que não crê e não se deixa levar por esse teatro. Enquanto a justiça fizer sua parte, em prol do Estado, e a sociedade a qual eu sou membro estiver sendo corrompida e apenas observando o que ocorre e não puder fazer nada eu não acreditarei em CPI, governo ou seja lá o que for relacionado ao tal Poder.

Eu não acredito em CPI, em governo, em direita, em esquerda. Acredito em mim e em meus "correligionários", que é a sociedade. A justiça é o governo, o governo é o corrupto, o governo faz a justiça, e o governo não há que punir o próprio governo. Então, por quê eu deveria acreditar nele?

Boa sorte para quem acredita na justiça...

Abraços.... 



- Postado por: Juninho às 16h22
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O mais novo modismo 

O mais novo assunto – mais um modismo que vem e passa como se fosse apenas uma simples febre – comentado nas conversas dos pseudo-intelectuais-"bem"-informados é a corrupção dos correios. Bom, já se criticou cidadão e presidente norte americano, multinacionais que imperam nosso estado, como a nike; liberalismo, imperialismo(estes são modismos os quais nunca hão de morrer, só serão ofuscados vez ou outra); já se falou mal do PT receber dinheiro de narcotraficantes, de deputado que aumenta o próprio salário sem o consentimento da população – devem estar ganhando mais ainda do que foi divulgado pela mídia; enfim.

E agora? Cadê o cidadão digno que falou, falou e falou a respeito dos respectivos assuntos? Cadê os protestos contra o governo corrupto, contra a roubalheira que só faz fuder com a população? É aí que tá. A mídia promove, difunde e planta uma idéia cabeça do cidadão, faz a massa se revoltar, mas logo a coisa começa a esquentar, ela(a mídia) "esquece" esta idéia e dissemina um fato qualquer, fazendo o povo não dar mais valor ao fato ocorrido.

Me faz lembrar do livro 1984 de George Orwell, no qual a notícia em voga, divulgada pela propaganda do governo, faz a sociedade se "mover" a favor ou contra quem eles(o governo) querem denegrir, fazendo-os esquecer fatos passados, tornando-os obsoletos. Vou tentar elucidar mais este ponto, de acordo com o livro. Existem somente três países neste, e sempre o país principal, retratado no livro, está ao lado de um e guerreando com outro. Um dia o governo coloca o povo a favor do que é aliado e no outro faz o povo linchar soldados deste mesmo país, porque o governo, agora, está em guerra com este.

Ou seja, em uma sociedade assim não existe vida própria, existe tão somente uma idéia em forma de modismo inconstante, de acordo com os caprichos do Estado. E há quem ria da idéia transmitida neste livro, dizendo que é bobagem, mas não percebe a tamanha semelhança que existe entre a nossa sociedade contemporânea e a descrita nele.

É modismo também dizer que somos fantoches, meros brinquedos do Estado; muitos brincam com isto. Porém, por mais medonho que seja, é a mais pura verdade. O cidadão não se lembra o que fez ontem. O Estado, através da mídia, está cortando a raiz desta sociedade, não temos mais nossa cultura. E não adianta querer culpar o governo(outro modismo) porque os culpados somos nós que não nos dispomos a lutar pelo que nos pertence – nossa liberdade.

E esta idéia que eu quero passar aqui auxilia e muito nessa "perda de identidade do povo". Cadê os que queriam a cassação do mandato do presidente eleito da câmara, Severino Cavalcante, porque ele queria tão somente aumentar o salário do próprio bolso e de seus correligionários em detrimento do povo? Todos esqueceram isso, e eu me pergunto, por quê? Porque a mídia simplesmente os mandou que esquecessem isso. É fato. A mídia faz o povo de otário. Ela deve ter ganhado "um" por baixo dos panos para esfriar este assunto.

Não existe mais lutas em prol de nossa liberdade, seja ela física ou mental. Hoje estão tomando nosso direito de ir e vir, e o principal, estão tirando o nosso mais precioso patrimônio, o direito de pensar e ter uma opinião formada.

Amanhã surge mais um assunto na mídia, e o povo esquece esta roubalheira que está ocorrendo no alto clero do governo.

E digo mais: quiçá daqui alguns anos, o deputado Roberto Jefferson, com toda sua retórica, eloquência e arte de interpretar se candidatará a presidente, e o resultado...o povo nem se lembrará quem foi e o que fez ele. A mídia ajudará a fazer a mente do cidadão e colocará o cara no lugar mais alto deste Estado. Mais um presidente corrupto, mais um Color.

Chego a ter mais raiva do povo do que do político corrupto, pelo fato da população ser tão ignorante de ver e consentir sua própria desgraça enquanto o governo, através das falcatruas da mídia, fica cada dia mais rico, em detrimento do cidadão otário que, como disse o presidente, não tira o cu de onde está sentado(na frente da TV, é claro) e age para tirar do poder esses que só fazem fuder nossa sociedade. Lamentável!!



- Postado por: Juninho às 23h43
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Era da imagem

Idade antiga, persas, hebreus, gregos, romanos; a escrita; a filosofia. Idade média, a inquisição, as cruzadas, a sanguinária era camuflada pela fé religiosa. Idade moderna, as colonizações, o renascimento, o mercantilismo, a clareza das idéias no iluminismo.

Consta nos livros de história que vivemos na idade contemporânea. Logicamente que sim, contemporânea, atual...das grandes guerras, dos totalitarismos, do inicio do capitalismo, do comunismo, das revoluções.

Muitas das coisas citadas acima não passam de resquícios da história, obsoletos. Alguns exercem influência ainda hoje; o capitalismo dita as regras da ganância inerente ao homem; a fé no ser abstrato ameniza, de certa forma, estas regras; enfim. Porém, hoje, a guerra não é pela sobrevivência, como na era antiga; nem para impor o poder divino como na medieval; não para conquistar e subjugar novos povos e territórios como na idade moderna; não é uma era para impor um estilo de vida com um poderio bélico feroz como na guerra fria com sua corrida armamentista. Não existem mais as rixas entre anarquistas ou comunistas ante o império capitalista; aqueles já foram subjugados e vencidos há tempos.

Hoje a guerra é outra, vivemos a idade da imagem, da propaganda. Belicismo marqueteiro. Hitler revolucionou a propaganda a serviço da guerra, hoje ela é usada em prol da beleza, utilizando uma imagem estereotipada de uma beleza artificial-superficial negando a idéia de raças e a serviço de qualquer um, com sua idéia capitalista. Basta apenas o indivíduo ter o poder de usufruir dos bens proporcionados por ela que está incluso nesta guerra; caso não o tenha está renegado aos campos de concentração da desilusão, excluídos dessa máfia-da-imagem.

A idéia passada hoje é trabalhar, trabalhar e trabalhar e construir uma pseudo-auto-imagem com roupas de grife, carros do ano, escravizado e vivendo em prol de uma coisa obsoleta e hipócrita que é a imagem construída superficialmente, esquecendo de quem é realmente, procurando seguir os modismos falsários. Se não tiver a capacidade de construir essa imagem que brilha aos olhos de quem a vê pode se preparar para um exílio cruel dos "campos de concentração" atuais, quiçá piores que os de outrora.



- Postado por: Juninho às 01h17
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No fio da foice

De um lado a sempre presente nos discursos demagógicos dos governantes, tão aclamada e talvez utópica, democracia; de outro, o totalitarismo verbal. Não bastasse o fato de nos prenderem o tempo todo com suas leis pseudo-democráticas agora querem nos ensinar a falar, de certa forma, dizimando uma cultura de palavras presente no nosso dia-a-dia.

Semanas atrás o governo apresentou a "cartilha do politicamente correto". A intenção desta cartilha é substituir palavras consideradas pejorativas por definições menos "pesadas". Um exemplo: se o cidadão possui aquela doença denominada nanismo, ele não pode mais ser considerado um anão, termo considerado, a partir do advento dessa cartilha, uma ofensa, mas sim "verticalmente comprometido". Ah, não! Po, é fato que existem e sempre irão existir pessoas maliciosas que se dirigem a esses indivíduos "comprometidos" com segundas intenções, mas querer mudar, como citado acima, uma cultura de palavras já presente no cotidiano é uma ofensa maior ainda, à sociedade. Ainda porque, tanto "anão" quanto qualquer outro termo, como "negro" ou "barbeiro" – palavras citadas na cartilha – são termos que nada transmitem além da própria realidade. Só se tornam pejorativas na mente de minorias inescrupulosas.

Só que o problema não reside aí. Essa tal cartilha não passa de mais uma jogada de alienação por parte dos poderosos. Querem passar uma imagem de um governo que se preocupa com os menos favorecidos, porém a realidade é o inverso disso. Um exemplo é o caso dos deficientes físicos. Consta nessa cartilha que não se deve mais chamá-los de "aleijados", e sim de "portadores de deficiência física". E chamando a atenção para isto –míseros termos - o papel deles(governo) se torna irrelevante perante a realidade, com um bônus extra, melhoram sua imagem perante a sociedade. Porque ao invés de designarem termos para isto ou aquilo não se esforçam para melhorar a vida desses deficientes físicos? São coisas simples como rampas em calçadas, conduções especiais para eles, etc. Mas o governo se preocupa, antes de mais nada, com sua imagem perfeita ante este espelho disforme chamado sociedade. Um dos artistas mais consagrados em nosso país tinha como apelido "aleijadinho". Será que, a partir dessa cartilha, nos livros de história, ele passará a ser chamado de "deficientezinho físico"? É cômica esta novidade do governo, senão dolorosa demais para alguns.

Me faz lembrar do livro 1984 de George Orwell, no qual, a cada nova edição dos dicionários, as palavras iam sendo excluídas, com o intuito de fazer o povo desconhecer certos termos, esquecendo assim o real significado de um sentimento, por exemplo, e passando a conviver resignadamente àquilo, sem saber o que realmente significava em suas vidas. É o totalitarismo; a ditadura, duríssima por sinal.



- Postado por: Juninho às 01h45
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"A sua mão é preta, a minha branca - eu sou melhor"

 

Hoje em dia não existem mais "populações" compostas por apenas etnias singulares, distintas umas das outras, mas sim comunidades, as quais são habitadas por diferentes classes, raças, cores, credos...Depois das ditas colonizações as raças foram, de certa forma, se misturando dentro de uma sociedade. Os negros escravizados em terras distantes das suas, os judeus espalhados pelo mundo, sem uma "pátria-mãe", os índios expulsos de suas terras, seja no oeste norte-americano ou em terras tupiniquins.

A discriminação sempre existiu, seja ela pela cor da sua pele, sua origem, pela sua imagem não condizendo com os "padrões" estéticos impostos numa sociedade, enfim. O medo "criado" pelas pessoas ao que lhes é diferentes as fazem difundir conceitos mesquinhos em detrimento ao dito "diferente", gerando uma espécie de "pré-conceito" totalmente equivocado. Um exemplo é a forma como os negros são tratados hoje em dia em nossa sociedade. Querendo ou não, está arraigado em nossa sociedade que eles são diferentes. Mesmo sendo seres humanos racionais como qualquer outro, a sua cor os faz diferentes na mente dos ignorantes e desenformados.

A história não mente e é fato a maneira como eles(negros) são tratados. Foram usados como mercadoria por nossos antepassados, humilhados, tratados como animais, sem nenhuma forma de se defender, "desculturizados", obrigados a seguirem um estilo de vida totalmente diferente da deles. Escravizados. Em outra página da história foram segregados em suas próprias terras, por inescrupulosos homens de pele branca que se julgavam superiores.

E essa idéia de superioridade é ainda hoje realidade, cuidadosamente camuflada pela sociedade, implícita, porém real. Seja numa partida de futebol ou numa novela onde os "diferentes" são tratados de outra forma; diferente. E isto se faz refletir em toda a sociedade, na mente mesquinha do ser humano ignorante que se deixa levar por idéias irracionais inescrupulosas de seres que se dizem racionais, donos da justiça e da verdade. Onde está a justiça desta sociedade? Em um lugar onde o pobre é preso por ser, simplesmente, pobre, não existe justiça, muito menos racionalidade.

Hoje a mídia dissemina a torto e a direito preconceitos em toda a sociedade, não vê quem não quer. Depois vem com sua falsa ideologia e suas propagandas demagógicas em prol do "excluído"; só não vê quem não quer. Estão todos cegos perante a discriminação, se julgando normais, irmãos, porém sedentos de preconceito; medo daquilo que é diferente.

Porém o mundo há que viver assim; o preconceito só irá acabar quando a raça humana SE destruir...

 

Obs.: Este texto eu fiz pro gordo entrega na escola dele... maldeto gordo preguiçoso...ahuhauhuauha... Ah se sua professora descobre...



- Postado por: Juninho às 02h46
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Indigênios

Esta semana tava andando sem rumo, perdido, revirando as esquinas e sorvendo a sabedoria da vida real, e comecei a troca idéia com um cara, praticamente indigente nos moldes do sistema. Aquela pessoa que está no meio da multidão e, apesar de ser elemento essencial neste imenso organismo vivo, de certa forma, para muita gente não faz parte do contexto chamado sociedade; Aquele ser humano que passa despercebido no meio da massa, porque não se encaixa nos paradigmas impostos; porque a imagem dele não satisfaz o olhar clínico da sociedade em prol da beleza, estereotipada por essa gente suja, mesquinha; Aquele tipo de pessoa que gera medo por onde passa, porque sua roupa é suja e velha, porque não tem um par de tênis decente...enfim. Por quê? Por acaso alguém, em algum momento da história, disse que o grau de aceitação do indivíduo perante à sociedade será estipulado conforme sua conta bancária? Já ouvi dizerem que o "homem faz o dinheiro, mas o dinheiro não faz o homem". Filosofia barata, equivocada, porque é evidente que, de acordo com esta plutocracia, o dinheiro faz o homem, sim. É fato.

E nessa fui vendo quem era realmente aquele "miserável". Várias idéias firmezas, sonhos não concretizados, mas que se mantém firme e forte na mente de um sujeito sem oportunidade, mas que vive na perspectiva de ser alguém na vida, não com uma conta bancaria gorda, mas ter ao menos o essencial para viver, ter um pingo de dignidade e respeito ante esses vermes hipócritas que compõem a sociedade. Humildade e sabedoria acima de tudo naquela mente que viveu a vida como ela é; à margem do sistema, e não sob a maquiagem hipócrita pintada com notas de dinheiro. Verdadeiro "indigênio".

Este país está repleto de sábios, os quais sem nenhuma oportunidade para mostrar seus talentos. Crianças nas ruas usando sua inteligência para o crime, pequenos futuros-senhores-administradores-do-tráfico, sem formação acadêmica, vivendo e aprendendo à margem desta sujeira – mesmo assim, no lixo. Vejo sempre o governo falando em educação, democracia, oportunidade. O primeiro, é fato, é essencial para o crescimento de um país, tudo o que o povo e os poderosos querem. Mas até agora a educação está presente somente na demagogia dos governadores deste Estado, porque a prioridade, antes de mais nada, é o fisiologismo, a corrupção, o nepotismo, etc. E depois é a vez do povo, mas aí já é tarde demais. Já são novas demagogias, novos governantes, e a miséria continua.

"Onde estiver, seja lá como for, tenha fé, porque até em um lixão nasce flor" Racionais 



- Postado por: Juninho às 01h41
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Quero uma vida só minha.....

 

Afinal, o que é a vida? Sempre as mesmas perguntas, sempre as mesmas estórias, sempre as mesmas respostas. Sempre igual. Sempre o velho, camuflado, se fazendo novo. O mundão é e sempre será o mesmo, não existem perguntas nem respostas. A vida é a resposta. Estar vivo apenas também não basta. Entregá-la por um ideal não vale à pena. O final vai ser sempre o mesmo, é um ciclo, idéias recicladas, pessoas, subprodutos sem identidade, reutilizadas em embalagens cada vez mais sofisticadas. Subjugadas. Se vendendo por uma ideologia pré estabelecida sob cores intensas-brilhantes que ofuscam a visão, fazendo a verdadeira realidade se tornar mesquinha perto desta "ideologia" falsária.

Pessoas que "entregam" suas vidas para descobrir a composição química da lua, ou o como as pedras são formadas, com teses e mais teses afim de descobrir o que é a vida através de estudos, trancafiados em laboratórios de última geração, ou imensas bibliotecas, sendo que A RESPOSTA está aqui fora. A resposta está em viver. Talvez queiram que seus nomes constem em livros didáticos depois que já tiverem partido dessa para melhor. Se tornarão eternos com suas teorias, mas viveram? Não viveram, nem aprenderam nada com ela. Não passam de rostos em livros de história empoeirados em estantes esquecidos ao sabor do tempo.

Será que viver não seria se adaptar aos conceitos modistas atuais e, simplesmente, deixar viver...Seria fácil. E qual é a vida além dessa? A vida das teorias? Dos gênios que não aprenderam a viver? Dos hedonistas desiludidos ou dos filantropos aprisionados pela compaixão? Dos falsários de plantão....?

Eu quero uma vida só minha. Não só mais uma mistura de restos digeridos pela sociedade que se vão incrustando na minha mente e formando um ser hipócrita. Igual. Não quero meu rosto estampado em camisetas nem brilhando numa tela de televisão do outro lado do mundo. Não quero dinheiro, nem carro de última geração. Quero ser apenas eu mesmo. Isto não é pedir demais. Talvez alguém, quem quer que seja, que esteja me olhando através dos cortinas que envolvem esta sujeira não deseje que eu seja eu. Talvez eu não seja forte o bastante para conseguir esta façanha. Talvez, realmente, não valha a pena.

 

"Viver é desenhar sem borracha" --- Millôr



- Postado por: Juninho às 02h41
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O QUE É PÁSCOA

- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa!
- Igual Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos ... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus.É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois.
- Não, três dias.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como?
Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
- Alô, quem fala?
- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!

(Luiz Fernando Veríssimo)



- Postado por: Juninho às 19h33
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E o futuro...??

Os governantes continuam em atritos permanentes, e a juventude...se fodendo!!

No Brasil, recentemente, estão ocorrendo inúmeras rebeliões em complexos da Febem. Tanto a imprensa quanto a sociedade se armam até os dentes e disparam de todos os lados contra os menores infratores, sem ao menos se questionarem quem são esses menores, quais são suas origens, se tiveram uma boa educação, se tiveram algum tipo de incentivo, etc. É um fato arraigado na cultura desta sociedade. Julgar, rotular sem ao menos querer saber quem é o indivíduo.

Se o menor de idade está numa instituição penitenciária é porque cometeu algum crime e merece uma punição. Claro! E essas instituições foram criadas para, não só mante-los presos - à margem do sistema - mas para que tenham uma recuperação e saibam, quando cumprirem suas penas, viver em uma sociedade, como cidadãos de bem. Mas na prática, não é isso o que ocorre lá dentro. O que ocorre são espancamentos, maus tratos, um descaso para com o menor infrator. Uma instituição denominada "Fundação estadual do bem-estar do menor" não está cumprindo com suas obrigações agindo dessa forma. Como o nome já diz, eles deveriam promover o "bem-estar", incentivar, apoiar o jovem para que se sinta, de certa forma, incluído neste contexto chamado sociedade, e não um mero marginal, no sentido amplo da palavra.

Enquanto o governo está gozando os seus novos salários, felizes com suas mansões e carros do ano, comprados com o dinheiro roubado do suor do trabalhador, o infrator está trancafiado em sua cela, sem perspectivas de vida. E quando eles(menores detentos) resolvem se fazerem ouvir, pela única forma que acharam, como uma espécie de válvula de escape para seus problemas - a rebelião - todos tapam os ouvidos e, simplesmente, os ignoram, taxando-os de marginais, delinquentes, enfim, são tratados como uma escória.

O governo, assim como a sociedade, simplesmente os esquece, enjaulados nas instituições, feito bichos, ao sabor da criminalidade, a única coisa que, em suas vidas, aprenderam de fato. À começar pelo passado. A grande maioria, nascidos em famílias de baixa renda, vivendo num contexto que envolve, única e exclusivamente, o crime, sem condição de desenvolvimento cultural decente para que saibam levar uma vida digna.

Isso tudo redunda num paradoxo irônico. O maior medo desta sociedade é aquele infrator que está preso em uma penitenciária qualquer; medo de ser assaltado a qualquer momento; medo de seqüestro...E o problema reside aí, não nos moleques que, agora estão ingressando na faculdade do crime, por falta de incentivo e perspectiva de vida, mas sim no governo que, indiretamente, cria esses marginais. Ao invés de aplicarem recursos para que se eduque as crianças, dêem-nas ao menos uma esperança de uma vida melhor, o sistema prefere financiar guerras, investir em armas e presídios. Este, tanto o que vai enjaular o indivíduo que assalta um banco quanto o que vai prender a própria sociedade, em suas casas, em suas mentes paranóicas, em suas vidas mesquinhas.

 

"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, 
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa"

Allen Ginsberg



- Postado por: Juninho às 23h06
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Retrato da desigualdade

 

Y, 18 anos de idade, condenado à X anos de prisão em regime fechado, pelos crimes de latrocínio, estelionato e tráfico de entorpecentes.

Hoje é só mais um número, uma estatística no sistema penitenciário brasileiro.

Nascido numa favela, cercado por miséria, numa família composta por 4 irmãos e sua mãe. Bastardo; indigente. Até os sete anos de idade é criado por um irmão mais velho, o qual sustenta a família com a renda proporcionada pelo tráfico de drogas, enquanto sua mãe é só mais viciada em crack que mantém o vicio se prostituindo.

Y, mais um pária deste sistema, desprezado pela sociedade, discriminado pela sua origem, é só mais um dentre tantos outros moleques frutos da miséria e desinformação. Não tem condições de ir para a escola, porque o governo simplesmente esqueceu que ali, na favela, também existe vida, e deixou toda uma comunidade vivendo precariamente, sem saneamento básico, sem unidades de ensino, sem emprego, vivendo sub-humanamente, sem perspectiva de um futuro melhor.

Abandonado ao acaso, Y vive em dois mundos distintos: o "seu" mundo, do tráfico, da miséria, das mortes, do vício, da fome; E o outro mundo, que é alheio ao seu, mas que a todo dia invade sua mente e lhe proporciona sonhos e uma esperança de uma vida melhor:; a TV.

Alimenta o sonho de um dia ganhar dinheiro e poder ter tudo aquilo que vê na TV, tudo o que aquele playboyzinho tem; o tênis da moda, o carro do ano, enfim tudo o que o dinheiro pode comprar, e ajudar sua família. Quer sair dali, quer ser alguém nesta terra de ninguém, esquecida pelos poderosos, onde a droga é quem dita as regras, e ordena quem vai e quem fica.

Com 12 anos ele começa a ver a realidade, seus sonhos, tudo aquilo que lhe proporcionava a vontade de viver, vai se desmoronando feito castelos de areia ao sabor do vento, e tomando formas grotescas, sem sentido e que ninguém explica e todos se perguntam o porquê daquilo. Ninguém, só ele sabe o que está sentindo; toda revolta de não poder ser aquilo que lhe foi imposto, toda vergonha de não poder ir pra escola, de não poder ter um par de tênis, nem sequer comida na mesa ele tem. Toda pobreza, violência e desigualdade mesclados com seus sonhos impossíveis só fazem despertar o ódio dentro de si. E se pergunta: "por quê? Por que ele têm e eu não?"

O moleque descobre a droga, todos os seus sonhos se tornam reais, tudo aquilo que lhe foi cobrado um dia ele pode ter e paga em dobro para a sociedade...nos seus devaneios...é "feliz"!!

Não sabia ele, por falta de informação por parte de um governo sem escrúpulos, que aquela "rocha" que ele fumava e lhe proporcionava a dignidade, era extremamente prejudicial à sua, triste e breve, vida. Os sonhos se tornam pesadelos, ninguém pode o ajudar, a vida se torna dolorosa e cruel, está sozinho, acompanhado de seu fiel companheiro, o vício. Não tem condições de sobreviver; aquele moleque sonhador, que fazia vários planos, que tinha toda uma vida pela frente, hoje é só mais um subproduto da desigualdade proporcionada pelo governo corrupto.

15 anos de idade, já não tem medo de nada, é mais homem que muito homem; conhece a vida, mas as circunstancias as quais ele vive não lhe proporcionam condições de se tornar alguém. Vê seus amigos sufocando e morrendo no vício, seu povo destruído. Não quer aquilo para ele, não entende o porquê daquela situação; enquanto a TV lhe passava a imagem da vida perfeita, de pessoas sempre felizes e sorridentes, sua vida ia cada vez mais se afundando na lama.

Ele não entende qual o motivo de tudo isto. Os poderosos dizem que é imoral roubar, mas roubam constantemente a vida e a dignidade de seu povo. A sociedade diz que usar droga é ilegal, que financia a violência, que mata e prejudica o sistema, mas ao mesmo tempo promovem e ganham muito dinheiro com o álcool vendido na sua favela, resultando naquela violência que ele vê dia-a-dia, nos bares, nas ruas. O governo diz que há que estudar e trabalhar para se ter dignidade mas não lhe proporciona esta oportunidade de ser alguém na vida, deixando-o na miséria, indigentemente. Só vê uma saída para tudo isso: O crime!

Agora o moleque tá revoltado. Tem ódio do governo, dos ricos...da sociedade. Agora ele não se pergunta mais o porquê daquilo tudo, já se decidiu, ninguém pode mais pará-lo. Agora quem faz as perguntas e as críticas é a sociedade: "Por que ele não está numa escola?"; "O que tem na cabeça para matar inocentes?"; é bandido, marginal, drogado, é só mais um pária para a sociedade. Mas ninguém se pergunta se ele teve condição de viver, se ele teve alguém do seu lado para dar incentivo. Ninguém lhe deu atenção quando pivete, não lhe proporcionaram uma chance de ter aquilo que lhe pediam, não lhe deram educação. Porque agora, que ele tá revoltado, alguém quer cobrar algo dele? Enquanto tava no canto dele, inofensivo, ninguém lhe deu atenção, agora que aprendeu a matar, todos o tratam como uma escória. Hoje o sistema tem medo daquilo que ele mesmo criou, mantendo-o preso qual animal, aumentando ainda mais sua revolta.

Quem é o verdadeiro bandido? O que roubou a vida de um moleque ou o moleque que, sem vida, tira a vida de milhares?

 

Frase: "Metade da humanidade não come; e a outra metade não dorme, com medo da que não come" Josué de Castro



- Postado por: Juninho às 20h59
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* :::JuNiNhO:::*


Viva a Contracultura